Caruru de São Cosme e São Damião celebra fé, tradição e ancestralidade no Terreiro N’zazi Kavuungo, em São Francisco do Conde
São Francisco do Conde (BA) – No último dia 27 de setembro, o Terreiro N’zazi Kavuungo, localizado em São Francisco do Conde, foi palco de uma celebração marcada por tradição, fé e ancestralidade: o Caruru de São Cosme e São Damião. O ritual, que reúne devoção, partilha e identidade cultural, é uma herança preservada de geração em geração, sendo transmitido pela saudosa Mametu Maria Bispo (In memoriam) para sua filha, a Ìyálórìṣá Gilmaria ti Ọdẹ, atual dirigente da casa.

O Caruru de São Cosme e São Damião é uma das expressões mais conhecidas das religiões de matriz africana na Bahia, reunindo elementos da culinária, da espiritualidade e do convívio comunitário. O prato, preparado à base de quiabo, azeite de dendê, camarão seco e outros ingredientes – é oferecido em honra aos Ibeji, divindades gêmeas do panteão iorubano associadas à infância, à alegria e à vitalidade. No sincretismo religioso, eles são celebrados junto aos santos católicos Cosme e Damião.

No N’zazi Kavuungo, a celebração não é apenas uma prática religiosa, mas também um ato de memória e continuidade cultural. Para Ìyálórìṣá Gilmaria ti Ọdẹ, dar seguimento à tradição da mãe é reafirmar o compromisso com a ancestralidade e com a preservação dos valores transmitidos pela comunidade do axé:
“Minha mãe nos ensinou que celebrar os Ibeji é também celebrar a vida, a coletividade e o amor. O Caruru é partilha, é cuidado, é o alimento sagrado que une todos nós em torno da fé e do respeito às nossas raízes”, destacou a sacerdotisa.

O evento reuniu filhos de santo, familiares, amigos e a comunidade local, em um ambiente de acolhimento, cânticos, danças e orações. Mais do que um encontro religioso, o Caruru se firmou como manifestação de resistência cultural e de valorização das tradições afro-brasileiras, fundamentais na formação identitária do Recôncavo Baiano.

Assim, a cada setembro, o Terreiro N’zazi Kavuungo reafirma seu papel como guardião da memória e da fé, mantendo viva uma herança que atravessa o tempo e fortalece os laços entre o sagrado e a comunidade.

Instagram do terreiro: https://www.instagram.com/terreironzazikavuungo/



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