Conclave: quem são os favoritos para suceder o papa Francisco

Conclave: quem são os favoritos para suceder o papa Francisco

Os cardeais já se posicionando em seus locais para o conclave — Foto: Vatican Media/Divulgação

O conclave que vai escolher o novo papa começa na quarta-feira (7), no Vaticano. A votação reunirá 133 cardeais com menos de 80 anos. Na lista de favoritos para vencer a eleição estão italianos, um americano e até mesmo um brasileiro.

Jean-Marc Aveline, França

Jean-Marc Aveline, arcebispo de Marselha, francês, 66 anos —
Foto: Vaticano/Divulgação

Jean-Marc Aveline é conhecido em alguns círculos católicos como “João XXIV”, em referência à sua semelhança com João XXIII, o papa reformador de rosto redondo do início dos anos 1960.

Aveline é conhecido por sua natureza simples e descontraída, sua facilidade para fazer piadas e sua proximidade ideológica com Francisco, especialmente em relação à imigração e às relações com o mundo muçulmano.

Ele também é um intelectual sério, com doutorado em teologia e graduação em filosofia.

O arcebispo nasceu na Argélia em uma família de imigrantes espanhóis que se mudaram para a França após a independência da Argélia, e viveu a maior parte de sua vida em Marselha.

Sob o comando de Francisco, Aveline fez grandes progressos na carreira, tornando-se bispo em 2013, arcebispo em 2019 e cardeal três anos depois.

O nome dele foi impulsionado em setembro de 2023, quando organizou uma conferência internacional da Igreja sobre questões mediterrâneas, na qual o papa Francisco foi o convidado principal.

Se assumisse o cargo máximo, Aveline se tornaria o primeiro papa francês desde o século 14, um período turbulento em que o papado se mudou para Avignon. Ele também seria, aos 66 anoso papa mais jovem desde João Paulo II.

Péter Erdő, Hungria

Cardeal Peter Erdo, húngaro, 72 anos — Foto: Vatican News/Divulgação

Erdő, de 72 anos, já era um dos candidatos ao pontificado no conclave de 2013, graças aos seus amplos contatos com a Igreja na Europa e na África. Ele também se destaca por ser visto como um pioneiro do movimento da Nova Evangelização para reacender a fé católica em nações avançadas secularizadas — uma prioridade para muitos cardeais.

O religioso é considerado conservador em teologia e, em discursos por toda a Europa, enfatiza as raízes cristãs do continente. No entanto, também é visto como pragmático e nunca entrou em conflito abertamente com Francisco, ao contrário de outros clérigos de mentalidade tradicional.

Apesar disso, Erdő causou surpresa no Vaticano durante a crise migratória de 2015, quando foi contra o apelo do papa Francisco para que as igrejas acolhessem refugiados, dizendo que isso equivaleria a tráfico de pessoas — aparentemente se alinhando com o primeiro-ministro nacionalista da Hungria, Viktor Orban.

No entanto, após uma audiência com Francisco, ele mudou de opinião e passou a defender os refugiados.

Especialista em direito canônico, Erdő teve uma trajetória acelerada durante toda a sua carreira, tornando-se cardeal quando tinha apenas 51 anos, o que o tornou o membro mais jovem do Colégio dos Cardeais até 2010.

Anders Arborielus, Suécia

Anders Arborielus, Suécia — Foto: Vaticano

Primeiro cardeal escandinavo da história, Anders Arborelius é bispo de Estocolmo, a única diocese católica da Suécia. Nascido em Sorengo, na Suíça, e criado na capital sueca, converteu-se ao catolicismo aos 20 anos e ingressou na Ordem dos Carmelitas Descalços. Foi nomeado bispo por João Paulo II e elevado ao cardinalato por Francisco, que o descreveu como “um guia que não teme nada, que não é contra ninguém e sempre busca o lado positivo”.

Aos 75 anos, tem formação em línguas e perfil pastoral voltado para os imigrantes, que hoje representam a maioria dos católicos na Suécia. Arborelius é defensor do acolhimento aos estrangeiros e crítico da xenofobia, em sintonia com o atual pontífice. Também é engajado em causas ambientais e participa de diversos dicastérios (secretarias do governo) da Cúria Romana.

Apesar de manter posições conservadoras em temas como o celibato sacerdotal e a ordenação de mulheres, é reconhecido por seu tom conciliador. Recentemente, afirmou que o próximo Papa deve ser alguém capaz de promover reconciliação, curar feridas do ódio e conduzir a Igreja a um encontro mais profundo com a fé.

Robert Sarah, Guiné

Robert Sarah, Guiné — Foto: Vaticano

Considerado contrário às tendências reformistas do papa Francisco, Robert Sarah, 79, é um dos principais nomes do conservadorismo católico e o primeiro cardeal da Guiné.

Nomeado por Bento XVI em 2010, foi prefeito da Congregação para o Culto Divino e é referência na defesa da doutrina e da liturgia tradicional.

Nascido em 1945 em Ourous, então colônia francesa, foi ordenado padre em 1969 e estudou teologia em Roma. Aos 34 anos, tornou-se arcebispo de Conacri.

Sarah ganhou notoriedade por enfrentar a repressão e a corrupção durante o regime de Ahmed Sékou Touré e, depois, como presidente da Conferência dos Bispos, continuou sua atuação política firme.

É querido por setores conservadores da Igreja e visto como crítico de reformas promovidas por Francisco.

Pietro Parolin, Itália

Cardeal Pietro Parolin, italiano, diplomata do Vaticano, 70 anos — Foto: Vatican News/Divulgação

Favorito dos apostadores, aos 70 anos, Parolin foi diplomata da Igreja durante a maior parte de sua vida e serviu como secretário de Estado do papa desde 2013, ano em que Francisco foi eleito.

O cargo é semelhante ao de um primeiro-ministro, e os secretários de Estado são frequentemente chamados de “vice-papas” porque estão em segundo lugar, depois do pontífice, na hierarquia do Vaticano.

Parolin atuou anteriormente como vice-ministro das Relações Exteriores do papa Bento XVI. Em 2009, foi nomeado embaixador do Vaticano na Venezuela, onde defendeu a Igreja contra as iniciativas do então presidente Hugo Chávez para enfraquecê-la.

Ele também foi o principal arquiteto da reaproximação do Vaticano com a China e o Vietnã. À época, conservadores o atacaram por um acordo sobre a nomeação de bispos na China comunista. Ele defendeu o acordo, afirmando que, embora não fosse perfeito, proporcionou alguma forma de comunicação com o governo de Pequim.

Parolin nunca foi um ativista de linha de frente ou barulhento nas chamadas Guerras Culturais da Igreja, que se concentravam em questões como aborto e direitos gays. Ele chegou a classificar a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em muitos países como “uma derrota para a humanidade”.

Luis Antonio Gokim Tagle, Filipinas

Cardeal Luis Antonio Gokim Tagle, filipino, 67 anos — Foto: Vatican News/Divulgação

Tagle, de 67 anos, é frequentemente chamado de “Francisco Asiático” devido ao seu comprometimento semelhante com a justiça social. Se eleito, será o primeiro pontífice da Ásia.

No papel, Tagle — que geralmente prefere ser chamado pelo apelido “Chito” — parece ter todos os requisitos para ser um papa.

Ele tem décadas de experiência pastoral desde sua ordenação sacerdotal em 1982. Depois, adquiriu experiência administrativa, primeiro como bispo de Imus e depois como arcebispo de Manila. O papa Bento XVI o nomeou cardeal em 2012.

Em uma ação vista por alguns como uma estratégia de Francisco para dar a Tagle alguma experiência no Vaticano, o papa o transferiu de Manila em 2019 e o nomeou chefe do braço missionário da Igreja — formalmente conhecido como Dicastério para a Evangelização.

Peter Turkson, Gana

Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, ganês, funcionário do Vaticano, 76 anos — Foto: Vatican News/Divulgação

De origens humildes em uma pequena cidade africana, Peter Turkson, de 76 anos, alcançou grandes feitos na Igreja, o que o tornou um candidato a se tornar o primeiro papa da África Subsaariana

Ele combina uma longa experiência pastoral cuidando de congregações em Gana com experiência prática na liderança de vários escritórios do Vaticano, bem como fortes habilidades de comunicação.

O fato de ele vir de uma das regiões mais dinâmicas para a Igreja, que está lutando contra as forças do secularismo em suas terras centrais europeias, também deve reforçar sua posição.

Quarto em uma família de 10 filhos, Turkson nasceu em Wassaw Nsuta, na então chamada Costa do Ouro, no Império Britânico. Seu pai trabalhava em uma mina próxima e também era carpinteiro, enquanto sua mãe vendia vegetais no mercado.

Ele estudou em seminários em Gana e Nova York, sendo ordenado em 1975. Depois, lecionou em seu antigo seminário ganês e fez estudos bíblicos avançados em Roma.

O papa João Paulo II o nomeou arcebispo de Cape Coast em 1992. Onze anos depois, o tornou o primeiro cardeal na história do estado da África Ocidental.

As promoções continuaram com Bento XVI, que o levou ao Vaticano em 2009 e o tornou chefe do Pontifício Conselho Justiça e Paz — o órgão que promove a justiça social, os direitos humanos e a paz mundial.

Nessa função, ele foi um dos conselheiros mais próximos do papa em questões como as mudanças climáticas e atraiu muita atenção ao participar de conferências como o fórum econômico de Davos.

Publicar comentário