Algum time empolga? Mediocridade é a marca do futebol brasileiro em 2025
Parte dos principais clubes do Brasil mostra desempenho indigente, enquanto outros têm potencial prejudicado pelo calendário

O Vasco levou 4 a 1 do Puerto Cabello, da Venezuela. O Grêmio empatou por 0 a 0 com o Atlético Grau, 15º colocado do Campeonato Peruano. O Cruzeiro, depois de três derrotas nos três primeiros jogos, foi eliminado da Sul-Americana com duas rodadas de antecedência ao empatar por 1 a 1 com o Mushuc Runa, do Equador.
Enquanto isso, o Flamengo ficou no 1 a 1 com o Central Córdoba, da Argentina, para quem havia perdido no Maracanã, e corre risco de eliminação já na próxima rodada da Libertadores. E o Bahia, após abrir o placar no começo do segundo tempo, levou uma virada em casa, de 3 a 1, para o Nacional, do Uruguai.
Tudo isso aconteceu nesta quarta-feira e reforçou uma sensação preocupante: é baixo o nível do futebol apresentado pelos principais clubes brasileiros em 2025. Alguns deles (Santos, Grêmio, Vasco, por vezes o Botafogo e o Cruzeiro) têm desempenho indigente; outros (Corinthians, Atlético-MG, Fluminense) oferecem espasmos de boas atuações; outros (Flamengo, Inter, Bahia) mostram dificuldades para manter o bom rendimento alcançado em parte da temporada.

Nuno Moreira Vasco Puerto Cabello — Foto: Juan Barreto/AFP
O Palmeiras é o time mais consistente do momento, superadas as dificuldades dos primeiros meses. Não é, pelo menos ainda, uma equipe envolvente, mas tem uma defesa sólida e movimentos organizados. Isso se reflete nos 100% de aproveitamento na Libertadores e na liderança isolada no Campeonato Brasileiro. É impressionante que Abel Ferreira consiga manter o time, ano após ano, mesmo com tantos títulos, com alto espírito competitivo.
O São Paulo não está no mesmo patamar do rival, embora também tenha alcançado uma regularidade. É difícil batê-lo. São 12 jogos de invencibilidade, com uma boa campanha na Libertadores (três vitórias e um empate em quatro jogos). Mas não é um time que empolga.
E algum é? Cabe a ressalva de que em maio do ano passado o Botafogo, que se tornaria o melhor time de 2024, começava a se consolidar. Ainda é um período de ajustes. Algumas equipes têm potencial para evoluir – e já deram sinais disso, casos de Corinthians e Cruzeiro. Este ano ainda tem a particularidade da pausa para o Mundial de Clubes, que dividirá a temporada entre antes e depois de junho.
De qualquer forma, a marca que temos até aqui é a da mediocridade. A consequência é vista no pescoço dos técnicos. Já caíram, desde o começo do ano, Fábio Carille (Vasco), Fernando Diniz (Cruzeiro), Gustavo Quinteros (Grêmio), Mano Menezes (Fluminense), Pedro Caixinha (Santos) e Ramón Díaz (Corinthians). Mas eles também são vítimas de um calendário terrorista. Como exigir bom futebol de times que jogam a cada três dias, que passam mais tempo dentro de hoteis e aviões do que em campos de treinamento?
A situação parece mais grave para os times que estão na Libertadores, envolvidos em jogos de alta exigência física e emocional. Flamengo e Inter são duas equipes que vivem queda de rendimento, após apresentarem bom futebol no começo do ano, e dão sinais de cansaço. Há risco de as lesões se avolumarem – os gaúchos estão sem jogadores como Borré e Carbonero.
Essa roleta russa, esse eterno retorno de autossabotagem, acaba tendo consequências até na Seleção – um refletor do futebol desanimador visto no Brasil em 2025.

Mushuc Runa x Cruzeiro; Sul-Americana 2025 — Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro



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